Desigualdade

 Desigualdade

“no qual não pode haver grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo e em todos.”  Apóstolo Paulo, Epístola aos Colossenses. 3: 11

A etimologia da palavra desigualdade significa diferença. A diferença é uma característica inata a toda a criação, a fauna e a flora, dependendo da espécie a que pertence possui suas especificidades. Referente ao ser humano, as pesquisas científicas nos informam que mesmo os gêmeos são diferentes. Basta conferirmos as impressões digitais ou a íris dos olhos, afora essas, outras tantas particularidades nos personaliza e distingue um dos outros.

No entanto, a desigualdade, do ponto de vista teológico, é uma marca contraída no Éden que, a partir de então, marca presença na história da humanidade. Evidenciando um coração humano corruptível, enganoso, ganancioso, capaz de conduzir certas situações em seu próprio favor em detrimento do outro. Nas micro-relações, esse comportamento se torna visível, quando percebemos as diferenças de oportunidade de ascensão profissional, intelectual, social ou econômica entre os indivíduos. Pelos mais diversos fatores, as diferenças econômicas e sociais, de força física, como as existentes entre homem e mulher e entre as pessoas consideradas normais e as com debilidades ou deficiências físicas, ou ainda, em função das diferenças étnicas.

O Prêmio Nobel de Economia, Amartya Sen, em reportagem concedida à revista Exame, edição 756 – ano 35, nº. 26, de 26 de dezembro de 2001, p.37, afirma: “As oportunidades abertas aos países pobres são limitadas não apenas por sua pobreza crônica, mas também por dois tipos de falha estrutural. Em primeiro lugar, entre as ‘omissões globais’ figura a inexistência de um esforço suficientemente grande e globalizado para enfrentar os problemas da saúde e da educação. Em segundo lugar, as ‘comissões globais’ podem assumir muitas formas diferentes, incluindo-se aí arranjos institucionais unilaterais.”

Muito embora ou apesar dessa “pré-disposição” humana, o ensino paulino explicita que a maneira como o Senhor Jesus constituiu a sua Igreja segue na contra mão dessa mentalidade e prática. Pois, pela cruz, afirma Paulo, fomos todos essencialmente igualados. O apóstolo não está propondo ou preocupado com uma revolução social, mas se ocupou de mostrar que nenhuma posição ou status humano nos distingue na presença do Senhor. Fomos todos comprados por um mesmo preço, o sangue de Jesus Cristo. Portanto, a verdadeira Igreja de Cristo – a que traz a marca da unidade: independentemente da posição social, condição financeira ou o grau de intelectualidade dos seus participantes, espelhará essa marca.

Para refletirmos: como anda o nosso olhar para com o nosso irmão?

Vagner Queiroz

é teólogo, Ministro Presbiteriano, idealizador do ministério vidaabundante.net.br e Gerente de Mobilização de Recursos com Igrejas, na Visão Mundial Brasil, desde 2015, no escritório de São Paulo.

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